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Verdade…

Já se disse (provavelmente algum grego de toga, algum escolástico de notável sensibilidade religiosa ou algum alemão pessimista) que um indivíduo que lhe afirma que a verdade não existe, não está querendo te convencer disso, logo, não lhe dê atenção. Não é fácil citar o autor da nota, pois não a encontrei em uma só página ou em um só livro. Se desde os tempos de Sócrates se diz que uma vida sem busca não é digna de ser vivida, pode parecer que ler a afirmação do Sproviero de que “a verdade deveria ser o fundamento e aspiração da existência humana”, é algo tão carente (do lat. carere, “estar privado de”) de sentido como falar que “Deus é amor”. No sentido de ser algo trivial, que à força de ter sido citado exaustivamente esvaziou-se de sentido, de significado. Mas, é preciso ir na essência da frase.

Em Verdade e Conhecimento, o Prof. Lauand lembra que “para os antigos, neste ponto dotados de maior sensibilidade do que nós, era evidente a existência de uma alienante tendência humana para o esquecimento. Naturalmente, não se trata aqui do periférico, mas do essencial; as questões decisivas vão se embotando: Que é ser homem? O que é a verdade e o que ela representa para a vida? Qual o significado da existência?, etc.” Talvez o trechinho que selecionei e que cito abaixo do estudo escrito pelo Sproviero sobre a verdade e a evidência, não traz nenhuma novidade. Todavia, é importante lembrar!, visto que “si les hommes oublient cette vérité, toi, tu ne doit pas l’oublier!”

O ceticismo, em suas formas variáveis, é uma negação da verdade, geralmente acompanhada de angústia: o fato novo de nosso tempo é a exaltação dessa negação. Em todo caso, sempre o ceticismo procede de um ato da vontade e não da inteligência. Isto é claro desde o patriarca dos céticos, o sofista e retórico Górgias (483-376 a.C.). Górgias, em sua obra Da natureza ou não-ser, formula suas famosas teses: 1. Nada existe. 2. Se existisse, seria incognoscível. 3. Se cognoscível, incomunicável. Ou na paráfrase contemporânea: não existe a verdade; se existisse, não seria cognoscível; se cognoscível, incomunicável. A negação de todo fundamento – a elegante complacência na ausência de fundamentação até para o seu próprio ceticismo – desenraíza o homem da verdade a partir afinal de um negativo de “profissão de fé”… (Mario Bruno Sproviero, Verdade e Conhecimento).


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